6a. Edição – 19/09/2020

BITCOIN NA ÁFRICA – PAU NO FB – USE MÁSCARA

No Brasil de 2020, não falta assunto. Aliás, nunca faltou assunto por aqui. 

Nesta semana, o fogo nas matas do Pantanal tomou conta do noticiário. É o clima? É assim mesmo? É falta de ação do governo? Afinal, o agro é pop ou não? 

E a pandemia? Vamos reabrir as escolas ou esperamos a vacina? 

Só estes temas renderiam diversas edições de uma newsletter, mas aqui a ideia é trazer o que ficou escondido por estes assuntos. Boa leitura!

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Facebook, a vidraça do planeta
Celebridades do porte de Leonardo DiCaprio, Kim Kardashian, Sacha Baron Cohen, Katy Perry, e Ashton Kutcher, entre outras, se unem em torno da campanha #StopHateForProfit, que prega o boicote de um dia ao Facebook e ao Instagram. 

Estas redes são acusadas com a difusão de fake news e discursos de ódio, o que pode colocar democracias em risco, com poder até de influenciar eleições. 

Esta ação se soma ao vazamento de um memorando interno de uma ex-cientista de dados do Facebook, que acusa a empresa de ter sido conivente ao não tomar atitudes concretas contra ações como as expostas acima. 

Segundo Sophie Zang, ao ser ineficaz em remover contas e conter atividades maliciosas, o Facebook poderia ser responsável até pela morte de pessoas: “Eu sei que tenho sangue nas minhas mãos”, escreveu ela. 

Um exemplo: na Etiópia, o acirramento da violência entre grupos étnicos levou ao assassinato de Hachalu Hundessa, um famoso cantor da etnia Oromo. Há quem acredite que o mau uso contínuo da rede ainda possa provocar um genocídio

Enquanto isso, a FTC, agência antitruste dos EUA, estaria preparando uma ação antitruste contra o Facebook para lidar com seu enorme domínio nas redes sociais. 

A FTC já multou a rede em US$ 5 bilhões pelo seu envolvimento no caso Cambridge Analytica e investiga se as compras de Instagram e WhatsApp foram feitas para barrar os concorrentes antes que virassem uma ameaça. 

A empresa tem sido metralhada por todos os lados diante de tantas evidências de negligência, ineficiência e inação. 

Uma das acusações mais recentes diz que o Facebook teria removido apenas 6% das informações falsas sobre vacinas que circulam em seus domínios. (Axios, Wall Street Journal, Engadget, BuzzFeed News, Vice, Poder360) 

Agora é Spotify x Apple
Horas depois do anúncio do Apple One, que cria pacotes com diferentes serviços numa só assinatura, a empresa californiana foi acusada de cercear a liberdade de escolha do consumidor. 

acusação veio do Spotify, serviço de streaming de música e podcasts, reclamando que a Apple abusa de sua posição dominante no mercado para acabar com a concorrência. 

Ao se comparar o Spotify com um dos pacotes da Apple, é difícil não achar caro o serviço de streaming. Por um valor um pouco mais alto, o Apple One oferece música e acesso a séries, filmes, jogos e um bom espaço para arquivos. 

O Spotify se junta à Epic, responsável pelo Fortnite, em guerra contra a Apple desde que teve o game banido da Apple Store por criar uma forma de vender itens aos jogadores sem passar pela loja, o que significa não pagar nenhuma comissão. 

Em longo relato no Twitter, o CEO da Coinbase, uma das maiores plataformas de criptomoedas do mundo, diz que poucas vozes se levantam contra a Apple, pois há um grande medo de retaliação. 

Ele reclama de ter problemas com o modelo extremamente restritivo da Apple Store, o que os obriga a descaracterizar seu aplicativo para que ele possa estar disponível aos usuários do iOS. (Apple.com, Appleinsider, @brian_armstrong no Twitter) 

Juristas contra o racismo algorítimico
Um grupo de juristas negros enviou uma carta ao Comitê Gestor da Internet brasileira pedindo para participar dos seus grupos de trabalho. O objetivo é auxiliar na monitoração dos impactos que o uso de tecnologias tem sobre a população negra. 

Chamado AqualtuneLab​, o coletivo é uma resposta à crescente preocupação sobre o uso discriminatório de algumas tecnologias, principalmente as de reconhecimento facial. 

Nos EUA, tem sido demonstrado de forma recorrente que esta tecnologia tem um alto índice de erros e reproduz viéses raciais, incriminando mais negros inocentes do que brancos inocentes, por exemplo. 

Em junho, alegando problemas éticos, a IBM abriu mão da comercialização e desenvolvimento de tecnologias deste tipo. 

No ano passado, o Google suspendeu um programa que tinha como objetivo melhorar os algoritmos de reconhecimento facial após ser acusada de se aproveitar de vulneráveis para obter vantagens comerciais. 

Isto ocorreu após se descobrir que a agência que recrutava as pessoas que teriam os rostos escaneados não era clara sobre o projeto e focava em estudantes e cidadãos sem-teto, todos negros.  (Folha, Olhar Digital, The Verge, UOL) 

Bitcoin virando realidade na África
A criptomoeda encontrou no continente as condições perfeitas para ganhar espaço: moedas em desvalorização, altos custos bancários, burocracia e uma população jovem, propensa a experimentar novidades. 

O volume de transferências de até US$ 10.000, tipicamente feitas por cidadãos comuns, já aumentou em 55% de 2019 para cá. Só em junho, mais de 300 milhões de dólares foram transacionados em países africanos desta forma, usando bitcoin. 

Os governos não estimulam o uso de criptomoeda, mas países como Nigéria, África do Sul e Quênia lideram a mudança de costumes.

Comerciantes encontram facilidades para pagar fornecedores estrangeiros e trabalhadores que mudaram de país aproveitam as taxas mais baixas para enviar dinheiro às famílias. (Reuters) 

SoftBank quer acabar com o dinheiro físico
No Japão, a Covid-19 fez crescer entre as pessoas o medo de se contaminar ao manusear dinheiro em cédulas e moedas. Com isto, o agressivo banco japonês identificou uma grande oportunidade: estimular o uso de formas digitais de fazer pagamentos e transferências. 

O SoftBank concentra esforços em seu app PayPay, uma carteira digital que já recebeu investimento de US$ 1 bilhão (e já queimou quase tudo em 2 anos) e é a aposta do banco para se recuperar das perdas gigantes com as injeções de capital nos mal sucedidos IPOs do WeWork e do Uber. 

O PayPay terá de lutar contra uma população resistente a usar meios digitais de pagamento, o que já causou a ruína de quase uma dúzia de empresas do ramo. Se conseguir ao menos obter a mesma penetração que este formato tem na China, criaria um mercado de mais de US$ 1 trilhão ao ano. (Reuters, Nikkei Asian Review) 

Lá vem o “TikTok” do Youtube
Enquanto Trump acaba de anunciar o banimento do app nos EUA a partir deste domingo, dia 20, a concorrência chega junto. 

Depois do “Reels” do Instagram, o Youtube vai lançar o “Shorts” nesta segunda-feira, 21 de setembro. 

A versão de testes será liberada na Índia, aproveitando o banimento de vários apps chineses, incluindo o Tik Tok, por lá. (Poder360, TechTudo) 

Índia duramente atingida pela Covid
O país tem hoje a maior velocidade de transmissão do coronavírus no planeta. Já são 5 milhões de casos, atrás apenas dos EUA, que registram quase 7 milhões. 

Em mortes, a Índia ainda está atrás de Brasil e EUA, com pouco mais de 80 mil, mas estimativas mostram que o país deverá liderar os dois rankings ainda este ano. 

A economia retraiu 24% no segundo trimestre em relação ao primeiro, e várias localidades registram falta de leitos, de profissionais e de material para atender aos doentes.   

Com casos migrando para as áreas rurais, assistidas apenas por grupos treinados para aplicar vacinas, ajudar na saúde de grávidas e educar a população sobre temas de saúde, a Covid-19 se soma ao desemprego como grave ameaça ao futuro da região. (The Guardian) 

Os riscos de contrair Covid, por situação
Com base num estudo sobre evidências de prevenção usando distanciamento físico, a equipe do Observatório Covid-19 BR fez uma tabela que mostra os riscos de se contrair a doença quando em contato com indivíduos assintomáticos. 

As variáveis são: uso de máscara e ventilação (quanto mais, melhor), tempo de contato, nível de aglomeração e uso da voz (quanto menos, melhor). (@obscovid19br no Twitter, The BMJ) 

Um Starlink se desfez nos céus de SP
Na semana passada, câmeras da Bramon (Brazilian Meteor Observation Network) registraram a reentrada de um satélite na atmosfera. 

Tratava-se do Starlink-32, que apresentava problemas técnicos e foi “chamado de volta” pelos engenheiros responsáveis pelo projeto. 

Como o equipamento se desfaz rapidamente ao se chocar com a atmosfera, inicialmente foi confundido com meteoros, mas logo foi revelada a origem do fenômeno

Starlink é a constelação de satélites de propriedade do empresário sul-africano Elon Musk que promete entregar conexões de Internet de boa qualidade a regiões remotas do planeta. 

De acordo com os primeiros testes, a velocidade de download registrado foi aceitável, mas a latência ainda não é a ideal. (Bramon, UOL Tilt, Tecnoblog) 

Surfistas de dados

Uma ONG norte-americana teve uma ideia bem engenhosa para monitorar o aumento de temperatura dos oceanos: quilhas de pranchas com sensores. 

O equipamento, que dá a estabilidade aos surfistas quando descem as ondas, ajudou a resolver outro problema: a obtenção de dados nas águas agitadas próximas das praias. (World Economic Forum) 

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Discoteca Básica
Neste podcast, o jornalista Ricardo Alexandre se propõe a dissecar grandes obras da música. 

Na 1a edição, convidou o líder dos Paralamas do Sucesso, Herbert Viana, para falar sobre o disco “Pet Sounds”, do grupo Beach Boys. 

No segundo episódio, o cantor e compositor Nando Reis ajudou a analisar “After the Gold Rush”, do canadense Neil Young. 

In-Edit Brasil
Totalmente online, já começou a edição 2020 do Festival Internacional do Documentário Musical, o In-Edit. 

Alguns filmes estão disponíveis gratuitamente, enquanto outros podem ser ‘alugados’ pelo valor de R$ 3,00. 

Il Consiglieri Musicale
Que tal relembrar (ou mesmo conhecer) a “era de ouro” da carreira do genial cantor Frank Sinatra? 

Adicionamos à nossa playlist o conteúdo da coletânea “Concepts”, que traz gravações de Sinatra no período entre 1953 e 1961. São 244 músicas, várias remasterizadas. 

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Esta newsletter teve conteúdos escolhidos por nossos ‘consiglieri’: 

– Babu Baía, radialista e locutor.
– Marcos Lavieri, jornalista e gerente de projetos de internet.
– Rafael Spoladore, consultor de internet e tecnologia. 

Até a próxima semana!

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